A Apple confirmou nesta quinta-feira que passará a cobrar aplicativos, músicas e livros em Reais no Brasil, depois de 9 anos nos fazendo pagar em dólar. Isso trará diversos benefícios para os consumidores brasileiros da maçã.

Esta tarde, a Apple enviou um email a diversos usuários com contas no Brasil avisando de que a mudança de moeda irá acontecer já em janeiro de 2018.

Em outubro deste ano já tínhamos cantado a bola aqui de que isso poderia estar próximo, com a Apple passando a exigir o cadastro de CPF para os usuários.

Isto é a conclusão de uma longa e demorada tentativa da Apple de vencer burocracias e problemas relacionados à adoção do real. Há cinco anos que ela vem tentando oferecer vales-presentes e se preparar para a moeda local, mas sem sucesso. Na verdade, desde o lançamento da iTunes Store no país, em dezembro de 2011, ela tenta adotar o real como moeda em suas lojas.

Mas o que isso irá mudar para os brasileiros? Quais as vantagens e desvantagens da cobrança em Reais em aplicativos e músicas? Isso é o que iremos detalhar a seguir.

Vantagens

A cobrança em moeda local provavelmente é uma das melhores coisas que poderia acontecer na App Store e iTunes Store. Isso porque o preço em dólar é uma barreira de compra para muitos que, psicologicamente, acreditam que a moeda estrangeira possa ser mais cara que a nacional. Por exemplo, muitos podem achar caríssimo pagar US$1,99 por um aplicativo, mas não possuem a mesma percepção se ele custasse R$6,90.

A percepção de compra com moeda local muda completamente, e isso é mais visível no grande público.

Outro ponto positivo com a cobrança em reais é que será possível termos cartões de presente (os famosos gift cards), permitindo que qualquer um compre créditos em supermercados e lojas, ou então online no site da Apple. Pais poderão determinar uma quantia mensal para seus filhos gastarem, sem correr riscos de compras indevidas no cartão de crédito.

Outra vantagem é que o usuário não vai ficar dependendo da oscilação do dólar na hora de pagar o cartão, sabendo exatamente quando está pagando no momento do download.

Com a moeda local, o Brasil poderá fazer parte dos países emergentes que possuem preços promocionais na App Store, como já acontece no México, China, Índia, África do Sul e Rússia. O Brasil era o único do BRICS que não oferecia esta vantagem.

Desvantagens

O grande medo é: qual o preço que virão os aplicativos? Se em dólar a loja segue a fórmula mágica implementada por Steve Jobs de cobrar 0,99 para provocar a compra por impulso, como ficaria este valor em Real?

Ao cobrar em reais, a Apple é obrigada a incorporar taxas e impostos municipais e estaduaisao preço final, que obviamente serão repassadas para o consumidor. Ainda em 2012 nós fizemos um cálculo por cima para descobrir as consequências dos preços em moeda local, e o valor pode ficar maior que os 6,38% cobrados atualmente pelo IOF do cartão de crédito. Isto ficaremos sabendo somente em janeiro, quando a mudança for efetivada e os preços revelados. Mas só a possibilidade de termos os preços alternativos mais baixos já é um fator que pode minimizar este problema.

É importante entender que os impostos aplicados em aplicativos e produtos virtuais não são os mesmos dos impostos de importação de produtos. São coisas completamente diferentes e não dá para achar que a conversão feita no preço de um iPhone será a mesma de um aplicativo. A não ser que a Apple quisesse abusar da situação, o que não acreditamos ser o caso. Afinal, o que ela quer é que venda muitos aplicativos, e não o contrário.

Não atrelando mais os valores ao dólar, significa que de tempos em tempos os preços serão alterados, para ajustarem-se ao câmbio, como já acontece em outros países.

Fonte: https://blogdoiphone.com/2017/12/app-store-reais/